Istambul | Postal de Viagem

Caros Amigos,

Posto-vos a partir da imperial Constantinopla, ISTAMBUL mágica, a única onde é possível ter um pé na Europa e outro na Ásia. Literariamente. Uma habilidade mais de mãos que de pés, cultuada por muitos, praticada por outros quantos, ainda assim sem a espetacularidade, a destreza inominável do homem-elástico que, como se lembram, apoiava os calcanhares (a que ninguém chega) no cimo das margens continentais para, de seguida, mergulhar as partes baixas nos baixios da correnteza do Bósforo… estreito para tamanha acrobacia!

Ao comum dos mortais estão reservadas proezas mais comezinhas, mais terra-a-terra, pelo que, achando-me no emaranhado labiríntico de lojas, ruas, becos e ruelas do Grande Bazar, após contemplar deslumbrado Hagia Sophia e fixar perturbado o olhar de Medusa, intentei separar-me do outro Eu para confrontar-me com a experiência (sempre) única do (re)encontro.
Uma estratégia arrojada, sem os cânones das respostas convencionais ou a leveza insustentável das mezinhas infalíveis que emergem como cogumelos em contextos de pandémico desnorte ou caótico dessul, para mais no Grande Bazar de Istambul.

Sem pica-miolos, cegarrega a azucrinar-nos o juízo o tempo todo, martelando à exaustão as virtudes da frugalidade e da temperança ou a venalidade do hedonismo e da oniomania, dei comigo em roda livre a gastar à tripa-forra com ganas de carregar o bazar todo, sem açaimes, sem arreios, sem espartilhos, sem culpa e sem pecado, raisopartam, pró-inferno, viva a liberdade!

Tudo se recompôs durante a sesta. Uma parte de mim rejubilava com os tapetes persas, o artesanato otomano, as jóias turcas, as sedas chinesas, as especiarias da índia; a outra, com o sábio mester de comerciante, as subtis técnicas de venda, a arte do marralho, tão da natureza dos turcos, tão do seu quotidiano, tão sedutora que nos chega a faltar a paciência, tão eficazes que acabam por seduzir-nos.

Com bagagem de novel comerciante de bazar e mala recheada de farta mercadoria, prenhes de desalfandegagem e destinatários, estarei de regresso na próxima semana, fazendo escalas de confraternização com os amigos dos Açores e da Madeira, rumando depois a Lisboa e ao Porto com passagem por Arouca, para finalmente brindar ao sucesso adentrando o Douro pelos socalcos dos vinhedos.

À distância, pressinto já a desassossegada impaciência da vossa espera, aumentada por natural curiosidade que espero satisfazer presenteando-vos com genuínos produtos orientais que oferecerei a preços justos, que mesmo não estando eu vendedor e ainda que não estejam compradores haveremos de entender-nos, de sorte que há dias assim, que os há, e em os havendo e havendo vida e saúde tudo se há de arranjar.

Até lá, vamos entretendo a espera com as imagens, as impressões e as visitas virtuais que vos deixo da belíssima cidade de ISTAMBUL, da sua história, do seu património, da sua arte, dos seus bazares, das suas basílicas e mesquitas, do manancial de culturas das suas gentes a revolutear a Mármara, mesclando águas de Egeu e Negro pelos estreitos de Dardanelos e Bósforo.

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