Por este rio acima – Fausto

Por este rio acima

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Por este rio acima
Os barcos vão pintados
De muitas pinturas
Descrevem varandas
E os cabelos de Inês
Desenham memórias
Ao longo da água
Bosques enfeitiçados
Soutos laranjeiras
Campinas de trigo
Amores repartidos
Afagam as dores
Quando são sentidos
Monstros adormecidos
Na esfera do fogo
Como nasce a paz
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
isto que é de uns
Também é de outros
Não é mais nem menos
Nascidos foram todos
Do suor da fêmea
Do calor do macho
Aquilo que uns tratam
Não hão-de tratar
Outros de outra coisa
Pois o que vende o fresco
Não vende o salgado
Nem também o seco
Na terra em harmonia
Perfeita e suave
das margens do rio
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Por este rio acima, é o tema que dá nome ao sexto álbum de Fausto, editado em 1982, primeiro de uma trilogia que compreende ainda Crónicas da Terra Ardente (1994) e Em Busca das Montanhas Azuis (2011).
Por Este Rio Acima, é considerado pela crítica especializada um dos melhores álbuns dos anos 80 e um dos mais importantes da música popular portuguesa, um trabalho que tem por base os relatos de viagem de Fernão Mendes Pinto, em Peregrinação.

FAUSTO – o Autor e a Obra

Carlos Fausto Bernardo Gomes Dias, é um nome importante da música portuguesa, compositor, músico e intérprete, autor de mais de uma dezena de discos de originais e em parceria.

Nascido a 26 de Novembro de 1948, algures no Oceânico Atlântico, a bordo de um paquete em viagem entre Portugal e Angola, foi registado na freguesia de Vila Franca das Naves, no concelho de Trancoso.

Concluiu os estudos em Ciências Políticas e Sociais, em Lisboa, tendo no âmbito do movimento associativo criado afinidades com nomes como os de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Manuel Freire.

Em 1969, foi distinguido com o Prémio Revelação, atribuído a Fausto, o seu primeiro trabalho em disco.
Recebeu ainda o Prémio José Afonso (em 1988), Melhor Álbum, Em Busca das Montanhas Azuis e Melhor Canção, E Fomos Pela Água do Rio (em 2012), o Prémio Carlos Paredes (em 2017), que consagra a carreira do artista.

Em 1994, foi condecorado com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.

Nota: Este post foi citado em Postal do Nilo

 

 

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