Postal de Liubliana, Eslovénia

Caros Amigos,
As lendas, os mitos, os contos, têm esse mistério de sedução e encantamento que nos aguça o espanto e nos deixa tantas vezes deslumbrados e perdidos entre a realidade e a ficção. Se a eles apusermos os mitos urbanos, que acrescentam pontos ao conto, temos razões de sobra para descortinar a realidade no fundo misterioso da lenda, ou o mito por baixo da fina pele da realidade.
Consta por aqui, que dos quatro dragões que dão fama à famosa Ponte do Dragão, três são estátuas encomendadas a um famoso artista local, que replicam o dragãozinho artista que, sussurra-se em surdina, abana discretamente a cauda de cada vez que uma moçoila virgem passa sobre a ponte!
O dragãozinho é fruto da paixão de um dragão grande e forte e de uma dragão-fêmea que não sendo especialmente bonita, possuía um charme tal a que nem mesmo um dragão forte e grande conseguia resistir. O dragão tinha por hábito aterrorizar as pessoas cuspindo fogo sobre as suas cabeças do alto da torre do castelo. Além disso, enchia de espanto as dragões-fêmea voando a altíssima velocidade. O pequenote nasceu enfezado, parecendo mais um lagarto que um verdadeiro dragão, o que fez as desgraças do progenitor que vencido pela tristeza se refugiou na sua gruta e chorou dias e noites a fio, tanto tanto, que fez subir as águas do rio Ljubljanica.
Um dia, quando entendeu chegada a altura, quis mostrar ao filho adolescente como deixar as pessoas mortas de medo fazendo fogo sobre as suas cabeças. O filho que era amigo das pessoas e mais dado à poesia e à música, recusou, subiu bem alto no céu e, ao mesmo tempo que entoava uma canção de namorados que ele próprio havia composto, fez piruetas tantas e tais que deixou todos deslumbrados perante o espetáculo que se lhes oferecia ao olhar. Nunca antes haviam visto um dragão artista.
No final, o dragãozinho foi descansar na ponte do costume. As criaturas mágicas que habitavam o rio e gostavam muito dele, enfeitiçaram-no para ele adormecer, ficar sempre ao pé deles e ter uma vida muito longa.
Sentados numa das esplanadas que circundam as margens sinuosas do rio, lemos na informação avulsa que fomos recolhendo que os eslovenos possuem uma das mais elevadas taxas de literacia do mundo. E, sem que percebêssemos muito bem porquê, achamos que já o tínhamos descoberto antes mesmo de o sabermos.
Talvez que a cidade conserve criaturas mágicas, tranquilas, sem medo de dragões, que guardam zelosamente as histórias, os mitos, as lendas que fazem a sua história. Criaturas afinal como todas as outras, sábias no gosto da aprendizagem e pacíficas na convivência com dragões verdes que também são artistas.
O dragãozinho, esse, continua  na sua ponte, a dormir profundamente, na companhia das criaturas que não dispensam a sua presença. Talvez mesmo, a sonhar o sono todo. E, quem sabe, de quando em vez, num impulso de irreprimível imaginação pueril ou de febril mocidade, a abanar discretíssimamente a cauda.
Para apaziguar a V/ imaginação diletante e pródiga, direi apenas, em abono da verdade e meu próprio que, de todo o tempo que levo por aqui, ainda não me foi dado ver o fogo do dragão, ocupando como ando a reunir o texto e as imagens desta terra de charme que é
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