Sísifo – Miguel Torga

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII


Miguel Torga: o homem e a obra

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, é justamente considerado um dos maiores vultos da cultura portuguesa do séc. XX.
Médico e escritor, tradutor, autor de uma vasta obra de caráter profundamente humanista, com mais de 50 livros de poesia, conto, romance, teatro, memórias, ensaios, ao longo de mais de 60 anos de escrita.

Indicado, várias vezes, para Prémio Nobel da Literatura, recebeu, entre outras distinções, o mais importante galardão da Língua Portuguesa, o Prémio Camões, o Prémio Morgado de Mateus, com Carlos Drummond de Andrade, o Prémio Montaigne, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, O Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, consagrando a sua obra.

  • Nasceu a 12 de Agosto de 1907, em São Martinho da Anta, Vila Real
  • Em 1917, foi mandado para o Porto, como servente
  • Em 1918, foi para o Seminário de Lamego, que abandonaria um ano depois
  • Em 1920, emigrou para o Brasil, para trabalhar na fazenda do tio, tendo regressado em 1925
  • Em 1928, ingressa na Faculdade de Medicina de Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade
  • Em 1929, deu início à colaboração na revista Presença, a que pôs fim no ano seguinte
  • Na década de 30, publicou várias obras, entre as quais, O Outro Livro de Job e a obra de ficção em vários volumes, A Criação do Mundo
  • Em 1940, contraiu matrimónio, foi preso por críticas ao franquismo e publicou a obra Bichos
  • Em 1941, publicou Os Contos da Montanha, as peças de teatro Terra Firme e Mar, e deu início à publicação do seu Diário, obra em 16 volumes contendo poesia, contos, memórias, reflexões, crítica social, que concluiu em 1994
  • Faleceu a 17 de Janeiro de 1995

No último volume do Diário, Miguel Torga escreveu: “Chego ao fim, perplexo diante de meu próprio enigma. Despeço-me do mundo a contemplar atônito e triste o espetáculo de um pobre Adão paradoxal, expulso da inocência sem culpa, sem explicação”.

(Este post está referenciado em Postal da Bósnia e em  O Mito de Sísifo – Albert Camus.)

 

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