Postal da Croácia

CROÁCIA – Zagreb

Meus Amigos,
Como em tantos outros lugares, aqui pela Croácia e os Balcãs, a história dos homens e das suas circunstâncias parece bem mais complexa que a história da Natureza e a das suas manifestações.
Ao cabo destes dias descobrindo a riqueza dos parque naturais, a beleza tranquila das margens dos rios, a elegância recortada da costa do Adriático, as cachoeiras dos Lagos de Plitvice a evoluir em cascata como uma valsa no cenário esplendoroso da Natureza, sentimos ser da natureza das coisas, a ordem e o equilíbrio, mesmo quando pareça ser da natureza dos homens o caos e a desordem.
Vukovar, a cidade croata que o Danúbio escolheu para repousar no seu longo trajeto de mais de 2 800 Km entre a Floresta Negra e o Mar Negro, foi palco de um dos episódios mais negros da história da Europa e um dos mais violentos da guerra de independência da Croácia. Há pouco mais de 20 anos atrás!
Agora que a distância de uma geração vai permitindo conhecer os detalhes macabros da guerra, parece seguro dizer que o mais prolixo dos artistas não ousaria tamanho arroubo de imaginação na fabricação do desastre e do horror. O que equivale por dizer que, tragicamente, também aqui, a realidade se sobrepôs a qualquer cenário de pura ficção. Não há como não ficar impressionado com a capacidade extraordinária para resistir e superar, mesmo quando a história teima em ser adversa e não seja seguro o que quer que pareça adquirido.
A ferradura em que se prefigura o território da Croácia, pareceria inscrever no jogo da sobrevivência a sorte e a proteção que justamente alimenta a mais básica aspiração das gentes, mas o histórico de tumultos e conflitos de séculos não confirmam a presença do amuleto no casco da longa história croata.
A estátua equestre no pedestal da praça central de Zagreb, que celebra o herói croata que dá nome à sala nobre da capital, foi ali colocada virada para norte, contra os invasores húngaros. Durante a II república jugoslava, foi retirada. Foi reposta em 1991, agora virada para sul.
Não fora mais, e estaríamos apenas perante a história rocambolesca de um herói que perdeu o norte! Mas dado que o herói jaz morto e bronzeado no bronze da sua cavalgadura, não podemos, em bom rigor, supor tão estapafúrdia desorientação ou desproporcionado sopro da rosa dos ventos.
Os heróis como os vilões, os amigos como os inimigos, são fundamentais à causa do conflito, essencial à causa do poder. O poder, transformá-los-à em estátuas e títeres conformes à causa da sua legitimação.
D. Pedro IV de Portugal, I do Brasil, foi imortalizado numa estátua equestre na praça com o seu nome, no Porto. Em Lisboa, no Rossio, permanece sobre um pedestal que uma lenda urbana transformou num galheteiro com o imperador Maximiliano do México! Ou a maldição dos poderes, como a fúria do irracional, a compor o concerto da História.
A nossa, guarda a imagem da Croácia como um grande estuário em ferradura entre o Danúbio e o Adriático, alimentando parques e lagos magníficos que se debruçam em cascata sobre a magia de uma valsa de Strauss nos braços delicados do palco da Natureza.
E, enquanto não regresso, junto a estas impressões de viagem, relatos e imagens do
Roteiro Croácia: Zagreb, Lagos Plitvice, Costa do Adriático

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