Postal de NIAGARA FALLS

NIAGARA FALLS

Querida Amiga,
Hoje, vim dos Estados Unidos da América para o Canadá, saí do Canadá para os Estados Unidos da América e, de novo, regressei ao Canadá. Pelo que, justamente, no meu currículo de viagens, passará a constar duas presenças em cada um dos países, ainda que por algumas horas num único dia. Um vaivém justificado pela necessidade que sempre me imponho de olhar a realidade de diferentes ângulos, que o mesmo é dizer, deslumbrar-me com a esmagadora beleza das Cataratas do Niagara, em ambos os lados da fronteira.
E não fora a firme recusa, que em si tem a graça de uma doce teimosia, de voar para lá das nuvens apenas com a imaginação, e eu estaria neste momento vivendo rara felicidade, rendido ao deslumbramento não de uma mas de duas maravilhas da Natureza. E você estaria de tal modo rendida a este espetáculo de avassaladora beleza que não mais se lembraria da pequena queda de água de rio Torto, onde à tardinha nos entretínhamos a apanhar conchinhas e girinos que se deliciavam na concavidade exata das suas mãos a desenhar a represa perfeita onde as pequenas criaturas flutuavam furtivamente à procura de ser gente. Momentos em que, na distração do seu enlevo maternal que parecia esquecer-me sem remissão, eu me divertia em travessuras suspendendo-as pela cauda para largá-las depois num mergulho atabalhoado e perigoso. O bastante para agitar em si o leito da tolerância e logo o dique da paciência transbordava num caudal de cheia sem retorno…
Então, como agora, fiquei só no pic-nic com o supremo encanto da merenda: ramalhete rubro de papoulas que eu “De Tarde” colhera no granzoal azul de grão-de-bico. Não mais viçou o ramalhete, enquanto emurchecia ao nível de girino o meu entusiasmo juvenil! Uma verdadeira hecatombe de águas. Poderosas, firmes, a correr apressadas pelo leito generoso do rio, beijando-lhe as margens, envolvendo-as num abraço largo, precipitando-se vigorosas num abismo de cinquenta metros para se estatelarem com estrondo em trovões de espuma a pintar arco-íris de todas as cores.
E mesmo que lá no fundo seja o inferno a revolver-se num caldeirão de águas desavindas, aqui é o lugar do paraíso em que podemos descansar a imaginação, agora que o sol deixou de refulgir na espuma branca da corrente e que o lusco-fusco vai inundando este palco maravilhoso da Natureza.
No breu da noite, quando forem mais nítidas as negras convulsões dos demónios, logo os deuses se hão de elevar em hosanas a aguarelar de cores as quedas que em Niagara se pintam de cor. Um espetáculo de beleza em que podemos distrair-nos até ao esquecimento, enquanto a retina se demora na passagem de Íris num arco colorido a ligar a Terra e o Céu.
Uma viagem que, sendo reservada aos deuses, não me deixa outro remédio que não regressar à terra assim que despertar deste idílio celestial.
Até lá, envio-lhe este Postal com as cores de Íris e as minhas notas de viagem em
O que ver O que fazer em Niagara Falls.
Boas Viagens!

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