De Tarde – Cesário Verde

DE TARDE

Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo purpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde, In “O livro de Cesário Verde


CESÁRIO VERDE

Cesário Verde, poeta considerado um dos pioneiros e precursores da poesia portuguesa do séc XX, viveu na segunda metade do séc. XIX, tendo sofrido de tuberculose que haveria de vitimá-lo aos 31 anos de idade.

Não sendo enquadrado em nenhumas das escolas poéticas dos países de língua portuguesa, naturalmente que Cesário Verde tinha proximidade com várias estéticas do seu tempo, sendo a mais evidente a que o aproxima de Baudelaire por retratar situações e realidades do quotidiano, o que o torna incompreendido em vida e mais próximo dos poetas portugueses do séc. XX.

De Tarde” é um dos poemas mais simbólicos e mais representativos da sua obra poética.

O LIVRO DE CESÁRIO VERDE

O Livro de Cesário Verde” pode ser consultado e baixado, aqui em

sítio da biblioteca digital do Ministério da Educação brasileiro, a maior biblioteca virtual do Brasil que terá já ultrapassado os 200 mil títulos, um acervo constituído por obras do domínio público ou cedidas pelos titulares dos direitos de autor, para o qual têm contribuído organizações internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que têm permitido a reprodução de seus estudos, artigos e publicações.

Nota: Para encontrar o poema, bastará clicar em “Baixar”, depois fazer CTRL+F, escrever uma das palavras: ramalhete ou papoulas, e finalmente fazer ENTER.

Poema citado no post  Postal de NIAGARA FALLS .

+ Poemas: Sísifo, Miguel Torga

One thought on “De Tarde – Cesário Verde

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