Postal de BOSTON

BOSTON

Caro Amigo,
Escrevo-lhe no descanso de um trilho pela magnífica capital do Massachusetts. Verdade! Você tem operado milagres neste seu amigo, inveterado preguiçoso que só à força de muito teimar troca o conforto da leitura na macieza do sofá pelas agruras pedregosas dos caminhos de pé-posto!
Claro que o Freedom Trail de Boston não é o mesmo que a Trilha da Serra, nem ninguém suportaria na cidade a rudeza primeva dos trilhos do campo. Falta a gravilha esquinada a morder os calcanhares, o sopro sibilino da brisa na folhagem densa do arvoredo, o excitado chilreio da passarada em nidificações primaveris. Ainda assim, trilhos de liberdade, onde até por vezes se assemelham as histórias da falta dela: o Massacre de Boston, como as mortes nas minas e pedreiras da Serra, têm em comum o rastilho da tragédia numa história de pólvora a rasgar caminhos de liberdade.
Diremos, com clássica bonomia, que sempre assim foi e que sempre assim será! E, logo de seguida, aquietando-nos à mesa da liberdade a que chegamos, bebericamos goles do chá lançado borda fora no Boston Tea Party: o movimento de colonos britânicos que na América de 1773, disfarçados de índios, invadiram e lançaram às águas do Porto de Boston o carregamento de chá de três navios da Companhia Britânica das Índias Orientais. No que seria o rastilho da Revolução Americana que levaria à Independência dos Estados Unidos e ao caminho da liberdade, o Freedom Trail de que agora gozo.
De resto, se nos abstrairmos de que estamos na América, poderíamos muito bem estar em qualquer outro lugar do mundo. Tal é a diversidade de histórias, de gentes, de culturas que enobrecem o património da cidade que foi  acolhendo sucessivas comunidades de imigrantes irlandeses, brasileiros e portugueses. Talvez também por tudo isso, uma cidade encantadora que nos parece familiar. De tal maneira que, à míngua de notáveis identidades, descobri em Benjamin Franklin, ínsigne filho da terra, líder da Revolução, político, diplomata, abolicionista, escritor, cientista e inventor, um entusiástico enxadrista que se pelava por retumbantes xeques-mates… Como nós!
Cuide-se, pois! Treine o mais que puder. No tabuleiro quadriculado de xadrez como no campo rugoso da Serra. Como vê, estou em grande forma!
Logo que chegue, reataremos costumeiras rotinas: de peões nos intrincados trilhos do campo, de cavaleiros nos singulares golpes de estratégia e de monarcas no sábio jogo do xeque-mate.
Nos momentos de descanso entretenha-se com os apontamentos de viagem que submeto ao escrutínio competente do seu olhar:  O que ver O que fazer em BOSTON.
Bons treinos e boas viagens!

 

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