Postal de PITTSBURGH

PITTSBURGH

Querido Amigo,

Escrevo-lhe aqui da cidade do aço, Pittsburgh, entre outras boas razões porque, foram várias as vezes que hoje me lembrei de si. Não, evidentemente, porque a amizade tenha memória curta, mas porque, em bom rigor, não é usual que num só dia, a esta distância e com as atenções viradas para a descoberta e a novidade, você me ocupe as lembranças com tamanha insistência!
Chegado de um concerto da prestigiada Orquestra Sinfónica de Pittsburgh na fantástica sala do Heinz Hall, não resisto a partilhar consigo essas memórias de que ambos somos protagonistas e que você gostará de recordar.
No andamento da partitura, um solo de metais reproduz com cristalina mestria as pancadas ritmadas com que os artistas de ferreiro moldavam o ferro e o aço em brasa sobre a bigorna, na forja do avô. Ali mesmo, na casa que também é sede da Orquestra Sinfónica da Juventude de Pittsburgh, onde se forjam os talentos capazes destes arroubos de melodiosa genialidade reproduzidos por instrumentos tão díspares. Um deslumbramento para o qual despertamos, mesmo que tenhamos passado a vida a acusarmo-nos de ser irremediavelmente duros de ouvido!
Talvez porque, pouco dados às artes musicais e mais às das elucubrações do pensamento, ocupássemos a juventude malhando em ferro frio, efabulando sobre o sexo dos anjos, tergiversando em circunvoluções de fumo sobre as revoluções que poriam o mundo num reviralho, enquanto afogávamos a dura realidade e a doce fantasia em cerveja e batatas fritas regadas com ketchup e mostarda… da Heinz!
À tarde, em State Point Park, o exato ponto onde dois rios se fundem para dar origem ao Ohio, enquanto contemplava a colina de Mount Washington, as margens do bairro de North Shore, a modernidade e elegância da linha do horizonte da cidade, ocorreu-me, por entre o alegre marulho do reencontro das águas, quanto nos divertíamos a banhos no Lagoal de Baixo, o exato ponto onde a batuta da Natureza juntou duas ribeiras que eram em si mesmas uma orquestra de harmonia.
Noutro andamento, vivace, allegro, maestoso, as firmes batidas das baquetas na delicada textura dos instrumentos, fundem no mesmo espaço todas as distâncias e num mesmo momento todos os tempos. E não fora a sempiterna circunstância do tempo, talvez nem mesmo isto mereça tamanho espanto.
A forja do avô já não existe. As indústrias do aço forjado na fusão de ferro e carbono à força de braço e do ritmo compassado das marretas, deram origem à biotecnologia, à cibernética, à robótica.
Permanecem, para nosso deleite, as memórias dos lugares onde se forjou a amizade de aço capaz de iludir estas distâncias e dar substância e gozo às notas de viagem que partilho consigo, aqui em
O que ver O que fazer em PITTSBURGH .
Aqui, como aí, Heinz permanece a verdadeira maionese!

 

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