Nos Caminhos de Viseu – Memória e Feminismos – Os lugares e os saberes

De uma viagem espera-se que, no mínimo, seja capaz de nos surpreender. Surpresas agradáveis, claro, ou pelo menos, com um final feliz!

Em  REGOUFE | DRAVE | GOURIM – Arouca e S. Pedro do Sul,

vimos como a Natureza é em grande parte feita da capacidade de nos surpreender.
E como isso parece da natureza das coisas, das mais comezinhas às mais improváveis.

Memória e Feminismos – Os Lugares e os Saberes

Em Gourim, na Casa Margou, ponto de chegada do percurso que partilhámos no post anterior, descobrimos este livro e o quanto ele nos pode surpreender. E, nele, uma das suas protagonistas, Maria do Patrocínio Martins, responsável pela reconstrução da única casa habitada da aldeia e uma das mulheres que assumiu a coragem de dar rosto e voz à sua história de vida, que é também uma das histórias mais marcantes do livro.

Uma edição de 2016, que contém sete histórias de vida de sete mulheres da região de Viseu, escritas/contadas na 1ª pessoa.

Nos Caminhos de Viseu

Mulheres de idades entre 19 e 72 anos. De Bondança, de Gestosinho, de Aveloso, de Gourim, de Oliveira, de Manhouce, de Viseu. Uma analfabeta, estudantes, com escolaridade básica, com formação superior.

Histórias que têm em comum vidas de mulheres sofridas, silenciadas, lutadoras, que “souberam dar a volta à vida, fintando o destino a que estavam destinadas” e que tiveram a “coragem de saírem da invisibilidade”, como se refere na Introdução e no Prefácio.

Uma edição da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, com uma tiragem de 300 exemplares, cuidada e despretensiosa, produzida com pequenas ajudas e muitas boas vontades, sem pretensões a bestseller, sem as parangonas dos media, sem a atenção e o marketing das grandes editoras.

Ainda assim, uma das peças importantes do projeto Memória e Feminismos: Os lugares e os saberes, e um excelente meio para entendermos as diferentes geografias do país no que à “visibilidade das mulheres, aos seus percursos de vida, anseios e suas lutas” diz respeito.

Um livro com testemunhos fundamentais para a memória coletiva.
A das mulheres e a dos homens. A dos pais, a dos filhos, a dos avós.
Para que o país não continue mouco às novas ideias e à necessária adequação das mentalidades.

Porque o que verdadeiramente surpreende e nos confronta, ao viajarmos por este livro e pelos testemunhos das mulheres de diferentes tempos e idades, é a perceção de que, apesar da eletricidade, do saneamento básico, das estradas a abrir caminhos, se perpetuam os esquemas mentais dominantes do Portugal de Garret, de Herculano, de Camilo, de Eça de Queiroz.

E porque, sendo o ato de memória uma construção subjetiva do passado, ele é essencial ao roteiro do presente e do futuro que se desenhe e consolide na inequívoca aceitação das diferenças e na promoção determinada da igualdade.

Apostada em tornar vivas e presentes memórias que são também um património coletivo inestimável para as gerações de hoje e de amanhã, a UMAR disponibiza este e outros livros que são parte integrante e fundamental do projeto, e podem ser consultados no seu sítio na internet.

Boas leituras!
Boas viagens!

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